domingo, 9 de Junho de 2013

Afinal sou de Direita ou sou de Esquerda?

Sei que amiúde pareço uma «criançola de Direita», como alguém acusou no grupo de jornalistas no Facebook, creio que falando da minha pessoa. E também sei que isto da vida não é preto ou branco. Opto pelo P/B por razões técnicas. Escrevo a branco quando trabalho sobre a escura tela que a Direita pinta a negro, e a preto na nívea tela em que a Esquerda usa branco. Umas vezes sou a «criançola de Direita», outras a «comuna».


Afinal sou de Direita ou de Esquerda? Ou Centro? Não sei. Nem quero saber! Nunca vi criancice maior que esta de abordar-se a Humanidade em função dos bancos em que sentavam o cú meia-dúzia de franceses, há duzentos anos, numa altura de (compreensível) radicalismo em plena Revolução.  

O que sei é que o nosso cérebro tem dois hemisférios. Um esquerdo que nos diz “isso é uma árvore, e outra e mais outra”. E um direito que nos informa: “olha que isso é uma floresta, pá”. Um mais relevante na razão, outro na emoção, mas que só funcionam em dupla, a um só tempo e num só crânio. Sei que os canhotos apanhavam reguadas por terem essa "mania", mas que hoje sabemos que os cérebros destas pessoas (bem como os das ambidextras) são 11% mais funcionais do que os das dextras.

Sei que um dia dialogaremos, não a P/B mas, no mínimo, em CMYK. Sei que todos seremos ambidextros e no Parlamento não haverá lugares marcados. Sei também que, nessa altura, farão muitos-muitos séculos que, nem eu nem você, cá andaremos. E sei ainda que a única verdade que nessa altura continuará actual será a de Sócrates,agora com uns 2.400 anos: só sei que nada 


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Post scriptum: Depois deste post percebi que não estou nadinha sozinha nesta minha antiga posição :) Além de ver alguns comentários favoráveis a esta "teoria" no mural de Facebook do grupo Jornalistas e em páginas pessoais, soube que este cartaz do cidadão Márcio Candoso passeou no 15/09/2012, na manife do milhão  sob o lema "Que se lixe a troika, queremos as nossas vidas de volta". E agora este nos protestos do Brasil. Entretanto o meu amigo de Facebook António Pereira de Carvalho enviou-me uma das suas citações sempre prontas para qualquer tema. Esta:


"Ser de esquerda é, como ser de direita, uma das infinitas maneiras que o homem pode escolher para ser um imbecil: ambas, em efeito, são formas da hemiplegia moral."

A Rebelião das Massas, 1937
José Ortega y Gasset
(1883-1955)

“HEMIPLEGIA = Perturbação da motilidade (faculdade de mover ou de se mover) que consiste num défice total ou importante da capacidade de efectuar movimentos voluntários, incidente nos membros de uma metade do corpo e numa metade do rosto do mesmo lado”
(Dicionário da língua portuguesa, Dicionários Editora, 8.ª edição, Porto Editora) 


** A minha maior bacorada de sempre esteve presente por alguns dias nestas linhas onde agora menciono Sócrates e a sua célebre frase com uns 2.400 anos. ¿Não é que num imperdoável acto falhado (ou lá que foi aquilo) atribuí a frase ao Descartes!? Uma pessoa perde logo a credibilidade de uma vida :) Felizmente há pessoas amigas que nos alertam. Obrigada, António Pereira de Carvalho. O mais estúpido é que pressenti que algo ali estava errado, mas achei que era a conta aos quatrocentos da máxima e ainda me dei ao trabalho de ir ver as datas do Descartes não fosse estar a confundir-me. De facto estava confusa das ideias, bem mais do que pensava. Desculpas envergonhadas e pressentidas ;)  

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